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Querido espelho que me inspira

A personalidade em que me espelho se chama Luiz Gonzaga Cabral de Andrade, ele é o famoso grande amor para a minha vida. Meu guerreiro. Meu fiel guardião. O amigo que a vida me deu. Meu amado pai.

Desde de sempre ele teve que trabalhar para ajudar meus avós lá em Campina Grande, na Paraíba, em meados de 1960. Filho de portuguesa com um quilombola sempre soube lutar pelos seus objetivos. Mesmo depois que meu avô faleceu, ele manteve a postura da muralha, sempre erguido com o topo da cabeça em direção aos céus. Não se pôs a chorar, pois Leopoldina, sua mãe, precisa de um ombro amigo para se aconchegar.

Quando completou a maioridade, estudou como clarividente e passou na sua faculdade de jornalismo que tanto imaginou enquanto trabalhava naquela sapataria antiga de seu pai desde a pré adolescência. Ele se formou, finalmente ergueu aquele canudo e gritou no pensamento: “Eu consegui!”.

Nada parou aí, até porque ele seguiu com sua carreira no jornalismo como repórter, colunista, e até já fez resenha de filme. Viajou para o extremo Norte do Brasil, pisou os pés no chão na terra de Macunaíma, e todos os receberam com um: “Seja bem-vindo à Boa Vista, estado de Roraima”. Meu querido pai fincou raízes nessa terra que tenho tanto orgulho de chamar de casa. Meu berço.

Conheceu minha mãe, Jocelia Freire de Sousa, ô mulher sortuda, e como o caboco diz: “Só o filé”. Se conheceram lá no Palácio Senador Hélio Campos, a sede do governo estadual, onde se viam de terno e gravata de segunda a sexta exalando charme e elegância. Depois que tudo aconteceu e eu apareci para dar o ar da graça, aproveitei tudo o que pude com esse homem que hoje brilha e faz parte da boa vista dos céus. E está acomodado em seu planeta Andrômeda como sempre afirmou que um dia voltaria.

Ele é o espelho que quero continuar a ver pelo resto da minha vida. Quero ser alguém sempre com o topo da cabeça em direção ao céu, que luta por sucesso. Fragmento meus sonhos em metas e depois em objetivos, pois assim, vou longe. Quero ter clareza no que digo e no que escrevo.

Vê-lo escrever era como ver um maestro coordenando uma grande orquestra onde no fim todos se levantam e aplaudem de pé. Ler o que ele escrevia era sempre um novo aprendizado, desde assuntos que vinham nas suas crônicas, que falavam sobre as reformas no apartamento de cima que lhe aperreavam a cabeça mais do que carapanã no pé do ouvido a um poema em que ele descrevia o amor do seu ponto de vista.

O que me encanta neste homem é sua força de continuar e lutar até o último momento. Pisaram na sua cabeça, mas ele nunca deixou sua postura de muralha. Lhe jogaram no poço da miséria, mas ele nunca deixou de sorrir. E nunca, em hipótese alguma, ele pensou em desistir da sua espiritualidade, da sua crença e muito menos de tentar levar a graça da vida para quem precisa.

No fim, quero continuar seu legado. Continuar o legado dessa família Andrade que tanto sucesso já fez e que sempre pertenceu à essa realidade.

Saudades eternas, sua filha, Luiza Andrade.