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Há um ano o Brasil começou a ouvir falar em Covid 19. De lá para cá só uma coisa não mudou

ou será que só eu consigo ver este comportamento da imprensa?

Por favor, me ajudem a enxergar a realidade.

1 – Se o número de mortes no Brasil estiver baixo, dê destaque diário ao número de CASOS CONFIRMADOS,  pois eles são maiores (mesmo que depois as pessoas se curem).

2 – Se ainda estiverem baixos, informe também os CASOS SUSPEITOS (mesmo que depois eles não se confirmem). É VITAL ASSUSTAR A POPULAÇÃO.

3 – Para reforçar, informe os internados em ESTADO GRAVE (mesmo que não se transformem em óbitos). ISSO AUMENTA OS NÚMEROS DA TRAGÉDIA.

4- Informe cada morte como se fosse uma TRAGÉDIA INCOMUM (mas nunca compare com as mortes diárias bem maiores, por dengue, gripe comum, acidentes de trânsito, homicídios, etc.)

5 – Divulge sempre as MORTES NA ITÁLIA, MAS NUNCA FALE DA Suiça, Áustria, Noruega, Israel, que estão próximos geograficamente, mas têm poucos óbitos.

6 – NUNCA MENCIONE PAÍSES DO HEMISFÉRIO SUL, que têm perfil climático semelhante ao Brasil, e têm contagem baixa de mortes, como Austrália, África do Sul e Chile.

7 – Proibido terminantemente divulgar lista* dos países e seus respectivos números de óbitos, para que a população não tenha nunca uma visão real da situação.

8 – Se tiver que divulgar uma lista, que seja SÓ A DE CASOS CONFIRMADOS, pois quem mais mede, mais vai achar (mesmo que isso não represente mortes).

9 – Evite falar que as mortes são basicamente de pessoas idosas e com doenças crônicas. AS POUCAS MORTES DE PESSOAS JOVENS DEVEM VIRAR MANCHETES.

10 – Não fale que as crianças são praticamente imunes ao coronavírus.

11 – ARRUMEM “ESPECIALISTAS”, QUE REFORCEM O PÂNICO. Médicos e epidemiologistas com visão contrária devem ser cortados, mesmo que seja durante as entrevistas ao vivo.

12 – Divulgue ao máximo países que implantarem quarentena radical, mesmo que não haja estudos conclusivos de que ela funcione.

13 – NÃO APOIE NENHUM TIPO DE CURA como a hidroxicloroquina, pois isso dá esperança ao povo. Se falar de vacinas, dê destaque ao longo tempo que vai levar para estarem disponíveis no nosso país, mesmo que já exista um plano nacional de vacinação.

14 – Se possível, evite falar das pessoas que perderam ou perderão seus empregos nos próximos anos. FALAR DE FOME E DESESPERO NO FUTURO ESTÁ VETADO.

15 – Empresários, grandes ou pequenos, não devem dar entrevistas, por motivos óbvios.

16 – ROMANTIZE A QUARENTENA e o isolamento: mostre crianças brincando com os avós, pessoas cantando nas sacadas, artistas “sofrendo em suas casas, fazendo a sua parte”.

17 – Repita, à exaustão, a frase “Fique em casa!” e JAMAIS TOQUE NO ASSUNTO DE COMO SOBREVIVER SEM TRABALHAR.

18 – Ações autoritárias de governos estaduais, reprimindo policialmente e multando quem foge ao isolamento, merecem reportagem. ISSO MANTÉM O POVO SOBRE CONTROLE.

19 – Mostre artistas famosos contaminados ou mortos pelo coronavírus. Isso tem forte apelo emocional e assusta a população mais pobre (“Se eles, ricos, pegaram, imagina eu”).

20 – Divulgue os “benefícios ambientais” da quarentena: animais bonitinhos reaparecendo nas cidades, poluição diminuindo, trânsito melhorando (não mencione caos econômico).

E A REGRA MAIS IMPORTANTE, que faz parte do objetivo principal: toda notícia negativa deve ser atribuída ou vinculada ao governo Bolsonaro, SEJA VERDADEIRA OU NÃO.

Qualquer notícia positiva deve ser atribuída aos governos estaduais (SP principalmente).